No dia em que nasci, as formigas mudavam de casa, os ratos mudavam de toca, o gado fugia da nossa aldeia como se escapasse de um desastre. O avô ainda mandou meu pai ir correndo encomendar um caixão p
Meu nome é Chen Chang'an. Dizem que no dia em que nasci, muitos viram formigas mudando de lugar e ratos realocando suas tocas, fugindo do vilarejo como se escapassem de uma calamidade. Formigas e ratos à parte, até mesmo os animais criados no curral estavam inquietos, tentando de todas as maneiras fugir. Aqueles que não conseguiam escapar, acabavam por se lançar contra as paredes, morrendo ali mesmo. Preferiam morrer a permanecer no vilarejo; uma cena tão estranha que não só nunca fora vista, como jamais fora sequer contada.
Meu avô, logo após meu nascimento, fez alguns cálculos com os dedos, mas não demonstrou alegria, apenas preocupação, fumando incessantemente seu cachimbo de fumo seco no pátio. Os familiares, ao verem aquela expressão, ficaram intrigados; afinal, quando nasce uma criança, não é costume haver felicidade?
O que ninguém esperava era que, ao me tomar nos braços, a primeira coisa que meu avô disse a meu pai foi: "Vá imediatamente à vila vizinha procurar o carpinteiro Huang e encomende um caixão para esta criança." "A madeira deve ser de uma árvore centenária, o caixão deve ter quatro pés de comprimento e dois polegadas de largura."
Meu pai hesitou: "Mas, pai, a criança acabou de nascer; encomendar um caixão agora não é muito auspicioso?" "Se quer que esta criança sobreviva, trate de providenciar tudo. O caixão precisa estar pronto antes do anoitecer. Caso contrário, ela não viverá até amanhã."
Diante da urgência e lembrando-se dos acontecimentos estranhos daquela manhã na vila, meu pai n