Depois de lutar até os trinta e oito anos sem conseguir comprar uma casa, para casar era preciso pagar trinta mil moedas de ouro como dote. Economizou e se privou durante quase toda a vida, trabalhou
“O dote é de trezentos mil, nem um centavo a menos!”
“Não é pelo dinheiro, só quero saber o quanto sou importante para você.”
“E mais, o imóvel não pode ficar no nome da sua mãe, tem que ser transferido para mim.”
Na Cidade Profunda, junto à janela do Café Baleia Cinzenta.
Jiang Qin, aos trinta e oito anos, olhava para a mulher com quem ia se casar e, de repente, achou seu rosto um tanto estranho.
Eles se conheceram através de um encontro arranjado, estavam juntos havia mais de meio ano e, como já não eram jovens, não havia tempo a perder, por isso vinham discutindo o casamento ultimamente.
Para ser sincero, Jiang Qin não sentia muito por ela e acreditava que ela também pensava mais ou menos o mesmo.
Afinal, chegando aos quarenta, casar e ter filhos ainda seria por amor?
Talvez apenas para não morrer sozinho...
Mas ele não disse nada, apenas bebeu seu copo d’água em silêncio, desviando o olhar para além da vitrine, enquanto seus ouvidos bloqueavam automaticamente a voz da mulher.
Achava que a vida era um tanto cruel.
Seus pais sempre disseram que o conhecimento mudava o destino, então ele estudou com afinco desde pequeno, acreditando que teria um futuro brilhante, distinto dos demais.
Mas só entendeu, ao começar a trabalhar, que nem mesmo conseguia ser alguém comum.
Em 2016, ao ingressar no mercado de trabalho, foi forçado a beber com clientes até ir parar no hospital, perdendo o último adeus à avó que o criou.
Em 2019, quando um projeto faliu, ele levou a culpa, ficou recluso em um quart